quarta-feira, 25 de março de 2015

MULHER, UMA COISA QUALQUER...

Os homens da máscara de ferro a soldam cada vez mais em suas caras horrendas. Tempos de mudanças e de avanços! Tempos de muitos não aceitar o óbvio. Ainda em março, "mês da mulher", a gente viu e a gente leu e a gente ouviu tantas exaltações a mulher e suas conquistas. Cada vez mais o mundo se transforma e cada vez mais o machismo tenta repudiar. Num país onde 59 por cento dos homens hoje sofrem com a impotência não é de se estranhar, afinal de contas, nestes novos tempos, a mulher, em sua maioria, sabe o que quer em todos os sentidos e na cama não seria diferente, considerando que por sorte, elas sabem muito bem que homem é antes de tudo humano e tem seus dramas, suas fraquezas e suas dores. Tudo compreensível e passivo de acertos.
Melhor uma bem dada do que 6 tentativas sem sucesso, não é assim? 
Talvez! Vi no portal do Yahoo uma nota sobre a modelo Bárbara Evans que acabara de publicar uma foto ousada por ai. Tudo bem; neste universo de fama de minutos para uns e de temporada para outros, quase tudo vale. 
Respeitemos ora pois todas a vontades, até porque, pelos comentários lá publicados, percebe-se que o machismo segue com aquela coisa de extrair o doce do chiclete e em seguida cuspir. Meus caros; mulher não é goma de mascar. 
Mulher não é objeto. Cada comentário malicioso daqueles, com termos aqui impublicáveis por uma questão de educação e respeito, bem demonstra o quanto estamos atrasados nesta TERRA BRASILIS, onde se pode chamar de vagabunda e de vaca uma presidenta, de puta a mãe do juiz de futebol e onde, se grita por uma série de direitos, mas onde a maioria infringe as leis, a maioria não utiliza o respeito aos mais velhos, aos professores, aos pais inclusive. 
Barbáries diárias que jornais populares se aproveitam para aumentar tiragem e vender mais. Os ignorantes alimentam os espertos, com suas atitudes baixas, com sua falta de zelo pela figura humana, pelo semelhante, pela mulher principalmente, que foi, é e ainda continua a ser vista por muitos homens como "uma coisa qualquer" que se usa e se joga fora.
 Quem desejar ler os comentários/pérolas vá em: https://br.celebridades.yahoo.com/fotos/veja-as-melhores-fotos-das-celebridades-nas-redes-sociais-1425319326-slideshow/veja-as-melhores-fotos-das-celebridades-nas-redes-sociais-photo-1426529086293.html

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

RELEMBRANDO VALÊNCIO XAVIER

Janela semiaberta! 
Cortina balançando com vento... 
Uma dança sem coreografia, com papéis malucos se alojando pelo chão. Na mesa, livros velhos, uma máquina de escrever (ainda) e um lápis mordiscado. A luz é fraca e ali, tudo é uma imensa penumbra que interliga dois mundos. Passado e presente confabulam apenas um instante!... Um ambiente apropriado para um sujeito que com toda certeza abriria as lentes de sua câmera para criar uma cena lúgubre de um filme triste, de uma novela ou até mesmo para documentar uma casa antiga. 
Aqui, numa dessas mesas de trabalho, alguém deixou à vista um livro chamativo: “Poty, trilhas e traços”. Ora vejam só; um livro escrito por Valêncio Xavier em 1994. Uma biografia de Poty Lazzarotto, o nosso saudoso “Mestre Poty”, que em vida se encarregou de criar em seus traços uma perfeita identidade para esta Curitiba que hoje já não tem, infelizmente, aquela dedicação pela cultura e perambula sedenta em meio aos seus zilhões de problemas... Bem; lembrar o velho amigo Valêncio Xavier dessa maneira foi por demais oportuno, até porque, em dezembro passado a data de sua morte passou desapercebida por nós e neste março que ora chega sorrateiro, poderemos reverenciar o seu nascimento num 21/03 do distante 1933. Valêncio era um cara simples, um paulista gente fina, sempre com ideias novas na cabeça, ideias e ideais de cultura pura. Ele não respirava o mesmo ar que a gente respira; ele tinha que extrair para os pulmões e para a mente aquela essência que se traduz em cultura numa nuvem, numa pedra, num fotograma ou numa folha de papel com seus escritos. Cineasta, diretor, escritor, roteirista e excelente colega de trabalho, Valêncio Xavier juntamente com Francisco Alves dos Santos criou, em 1975 a Cinemateca de Curitiba e, em seus brilhantes anos de inspiração, se tornou um Curitibano nato, nos brindando com várias publicações dentre as quais, a já citada biografia de Poty e outra que eu preservo a sete chaves intitulada “Desembrulhando as Balas Zéquinha”, de 1973, onde ele, com aquela paciência que tinha, conseguiu efetuar o melhor e mais preciso levantamento histórico a respeito desse personagem tão curitibano quanto todos aqueles, assim como eu, que vieram de fora para amar esta Cidade Sorriso como ninguém. Valêncio Xavier nos deixou aos 75 anos de idade num triste 05 de dezembro de 2008, mas graças a Deus, nos legou muito da nossa história, da nossa cultura e nossa curitibanidade, coisa que se não está no sangue por traços hereditários, se aloja pela flechada de um cupido safado, que tem a capacidade de fazer com que qualquer um, venha de onde vier, aqui chegue, se apaixone e deixe sua contribuição como um bom curitibano deve fazer.(PBJ)

A SERPENTE DISFARÇADA EM FLOR

No mesmo 18 de janeiro em que fuzilaram um brasileiro lá na Indonésia, aqui mesmo no Brasil um menino perdeu a vida por causa de uma bala perdida. De cada lado dessas histórias um fato em comum: o tráfico de drogas! Aqui a guerra é diária nos grandes centros entre a polícia e o tráfico e em razão dela, inocentes perdem a vida, porque nos confrontos, atira-se para todo lado. Lá na Indonésia, eles tem suas leis rígidas em relação a este tipo de atividade e ainda assim, muitos se arriscam, porque a possibilidade de se ganhar muito dinheiro é tentadora. O brasileiro Marco Archer, traficante de drogas, foi mais um entre tantos cujo governo indonésio levou ao paredão de fuzilamento e assim, causou as mais diferentes reações mundo afora. Ninguém é dono da vida de ninguém, esta é minha concepção, e resguardadas as dores da família do Marco, a gente volta à triste realidade que nos cerca, com traficantes que comandam suas facções de dentro dos presídios, que espalham o medo nas mais variadas comunidades e que transformam meninos e meninas e “aviõezinhos” ou “mulas”, para levar a droga até quem a consome. 
Tivesse o Marco Archer sido apanhado aqui mesmo em sua terra, teria sido preso, cumpriria uma boa parte da pena e estaria à solta, não necessariamente ao lado de sua família, mas seguindo em sua “profissão”, como ele mesmo declarou a um repórter dizendo que a vida toda “foi traficante,traficante e traficante”. Enquanto pode, usufruiu das maravilhas que a vida, através do dinheiro oferece: viagens, hotéis de luxo, comida e bebida de primeira e mulheres que, para a maioria dos homens, só existem em sonhos. Alguém, naquela rumorosa segunda-feira, dia 19 de janeiro, grifou a respeito do brasileiro condenado que ele talvez seguira a letra de uma canções do Zeca Pagodinho que diz: “Deixa a vida me levar...” - A canção é sucesso e a vida só pode ser pra gente “progresso”, através do estudo, dos esportes e do trabalho, não deixando jamais de lado a transparência e a honestidade. Sabemos que o governo brasileiro fez todos os apelos possíveis, afinal de contas tratava-se de uma vida. Mas não se pode, como se tentou fazer, transformar o brasileiro Marco Archer num herói, até porque infringir a lei, para ele, era uma questão de honra. Um cara que nunca pagou imposto de renda, que não tinha talão de cheque, que não estava nem ai para a própria vida, já que fez dela uma aventura “vida loka”, como se diz na gíria, não poderia esperar que enganaria todos o tempo todo. Acho que os 11 anos em que ele ficou preso já bastavam como pena pelo crime de tráfico, mas cada país tem suas leis, suas regras e os seus erros cruciais. Que você que é pai, que é mãe, professor ou professora possam contribuir com a nossa juventude orientando-a em relação à vida, aos relacionamentos, as formas de conquistar espaços utilizando o talento, a dedicação ao trabalho e assim, evitando destruir a própria vida num jogo onde a ganância é a serpente disfarçada em flor.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

LENDAS CURITIBANAS

Causos e estórias de ontem preservadas no coração de um livro. 


Quem já passou dos cinquenta anos de idade com toda certeza que se lembrará dos tempos de infância, quando as famílias ainda mantinham o costume de se reunir com os vizinhos, a maioria “compadres”, sem que nunca tenham batizado o filho de alguém e, naqueles encontros, muitos dos quais a luz de vela ou de lampião, surgiam as mais engraçadas, estapafúrdias e terríveis estórias que passavam por mulas-sem-cabeça, boi tatá, visagem e fantasmas capazes de nos tirar o sono por semanas ou, muitas e muitas vezes nos levando a urinar na cama e ganhar de brinde, no dia seguinte, aquela surra de chinelo, cinto ou vara de marmelo. Com o passar dos anos e a evolução tecnológica, esta prática de perpetuar causos e estórias foi se perdendo na medida em que muitos dos nossos avós, pais, tios e tias se foram e levaram consigo um acervo de valor inestimável. Muitos de nós que ainda têm a sorte de conviver com um vovô ou vovó podemos nos deliciar com estórias fantásticas, que a gente não encontra pela internet porque elas integram o âmago da existência dessas pessoas que viveram tempos de muito trabalho, de muitas dificuldades, mas sem jamais perder a vontade de fazer acontecer.
Luciana do Rocio Mallon
Dos nossos tempos de infância, quando proibidos de ouvir os causos, ficávamos escondidos atrás da porta porque a curiosidade era grande, podemos concluir que gravamos em algum lugar da mente parte dessas lendas e mitos enquanto que outros decidiram ir além e batalhar muito para manter vivas essas passagens que um dia foram atração maior do que o Fantástico em nosso fim de noite dominical. É o caso da escritora, repentista e pesquisadora de lendas,Luciana do Rocio Mallon, formada em Letras pela UFPR e que a muito custo conseguiu lançar seu primeiro livro intitulado “Lendas Curitibanas”, depois de anos a fio resguardando causos em sua memória, conversando com idosos e 
preservando tudo aquilo que um dia, movida pela curiosidade, descobriu num porão da casa do seu avô Torres, que já naqueles tempos estudava secretamente os mitos da cidade de Curitiba para ter depois, muita coisa para contar naqueles encontros fantásticos.
Esta descoberta foi o que impulsionou Luciana a pesquisar causos e lendas por conta própria e que culminou numa obra rica em detalhes e que com toda certeza já despertou a sua curiosidade também. 
Lançado em 2013 pela Editora Instituto Memória, a obra com 98 páginas pode ser adquirida através do portal: http://www.institutomemoria.com.br/detalhes.asp?id=211

NOTA: o presente artigo também foi publicado em nossa edição impressa alusiva ao mês de fevereiro/2015 e distribuída em São José dos Pinhais, na região do Afonso Pena.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

O FINAL DO MUNDO


Há 22 anos, no dia 15 de dezembro de 1992, foi instalado este monumento no Cabo de Hornos. A obra é do artista e professor chileno José Balcells Eyquem, cujo projeto concorreu na época com outros 14, de artistas renomados. A ideia de erigir um monumento em Cabo de Hornos surgiu da Confraria de Capitães do Cabo de Hornos que, para atingir este objetivo tiveram que ir em busca de apoio e de muitas contribuições em dinheiro, já que o monumento, por sua localização, deveria ser construído de maneira a suportar ali os ventos que chegam, muitas vezes, aos duzentos quilômetros por hora. Aquele Albatroz que se observa aguarda sempre pela visita dos turistas, pelo menos dos mais ousados, que se atrevem a viajar até onde os chilenos e outros povos da América do Sul consideram como “O Final do Mundo”.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

AS SALAMANDRAS DA ANINHA

Quantas Aninhas já foram retratadas em contos, crônicas e muitas histórias infantis dentro do nosso contexto cultural. A minha Aninha é só mais uma dessas menininhas sapecas, criativa, que gosta de dançar, de cantar e de comer muito também. As vezes quer falar difícil e enrola a língua transformando palavras em algo muito engraçado, como dia desses em que ela foi falar “Rato Borrachudo” e lascou “ Rato Robachudo”, para diversão de quem se fazia presente. Não raro, acha tempo para imitar a Chiquinha, da turma do Chaves e ultimamente, anda que é só sorrisos largos de posse de seu tablet e de duas bonecas Monster High que exigiram grandes esforços na negociação final naquela loja que é uma tentação para qualquer criança. Pois bem, se em nossas vidas alguma coisa marcou a infância, como um presente ou um passeio, na vida da minha Aninha, hoje com seus sete aninhos, tem algo que será inesquecível: As salamandras da Aninha! 
É evidente que não se trata de salamandras vivas, até porque são mais comuns na parte norte da América do Sul para mais ao norte. Mas acontece que um dia, e eu não consegui descobrir as razões, alguém escolheu para simbolizar uma loja, os desenhos de salamandras que vieram de encontro aos olhinhos atentos dessa sapequinha da Aninha. A loja se chama Calango, e comercializa artigos esportivos. Ficava localizada na Rua Joaquim Nabuco, em direção ao centro de São José dos Pinhais, pelo menos até o inicio das obras naquele local. Hoje a loja foi para outro endereço, mas as Salamandras da Aninha ficaram conservadas naqueles desenhos estilizados na parede e no portão onde o estabelecimento funcionou. Daqueles tempos para cá, e com um parêntesis de quase um ano em função das obras, ela deixou de ver como estavam os seus “bichinhos” de estimação. Faz pouco tempo, a via foi liberada e a gente passa diariamente por ali, ocasiões em que ela define se as salamandras estão com calor ou com frio, se estão molhadas pela chuva e essas coisas da imaginação de criança com saúde. As salamandras da Aninha devem ficar ali por mais um bom tempo, assim ela espera, mas a gente sabe que um dia desses, alguém vai utilizar o local e certamente que pintará a parede e o portão, “extinguindo” aquelas salamandras que mexem ainda hoje com a imaginação da danadinha da Aninha. 
Neste outubro que é o mês das crianças, nada mais oportuno do que exaltar essas “coisas de crianças”, que nos devolvem muitas vezes aos bons tempos da infância e que felizmente nos proporcionam a esperança de que, mesmo diante dessa tecnologia que aniquila “o natural”, ainda podemos cultivar os sonhos infantis, as ilusões que impulsionam a vida e o sabor da existência, até porque, se as fadas e seus contos estão fora de moda, as salamandras e as bonecas “monstrinhos” dão conta do recado. Agora Aninha, hora de brincar, depois dormir, não sem antes escovar os dentes e dai sim, deixar que os sonhos a levem para aquele mundo multicor das salamandras que, no meu entender, devem dividir interessantes espaços com aqueles gnomos que, mesmo tão pequeninos, seguem tomando conta do que nos resta de florestas. E viva a magia de ser criança!